C1 - Estudo e Aprofundamento - 1º e 2º ano - Língua Portuguesa
Q ueridas professoras e queridos professores,
Conforme discutido no nosso encontro presencial, vamos aprofundar nossas análises sobre as situações de escrita pelo ou pela estudante em um contexto de elaboração de cartas para um jogo da memória.
Nossa sugestão de estudo e aprofundamento é que leiam a seguinte cena presente no material:
Fascículo 1 do/a Professor/a – Alfabetização contextualizada e reflexiva: Percurso Formativo para 1° e 2° anos Texto - F1.U2.T3:
"Escrever por si mesmo no contexto de produção do Jogo de Memória".
Contexto:
A classe estava envolvida na elaboração de cartas para a construção de um jogo da memória da "Turma da Mônica", com o propósito de presentear a turma do 1º ano do turno oposto. Como regra da atividade, cada criança se responsabilizou pela produção das duas cartas que compõem o seu par. No entanto, cada carta foi produzida em momentos diferentes, de modo que, na segunda vez, a criança não tinha acesso à primeira carta que escreveu.
O estudante Thalles ficou responsável pelas cartas da personagem Mônica. Em suas produções individuais, Thalles utilizou uma variedade de letras (muitas associadas ao seu próprio nome, mas alterando a ordem e agregando outras) e escreveu a primeira carta como THTRMAUES e a segunda como SELAMRT. Suas produções revelam que ele já assegura uma característica fundamental do Sistema de Escrita Alfabética: a variedade de letras dentro da palavra.

A revisão dessas cartas configura-se como um grande desafio, pois crianças que ainda não produzem escritas alfabéticas frequentemente geram cartas com escritas diferentes para a mesma palavra. O fato de compreenderem que a escrita tem estabilidade faz com que elas próprias reconheçam essa contradição.
Para conduzir esse momento de revisão sem apenas pedir que o aluno copiasse a versão "correta", a professora organizou um agrupamento produtivo: propôs que Maria colaborasse com Thalles. A professora, então, questionou a dupla se as duas cartas poderiam ficar com escritas diferentes para representar o nome de Mônica, e prontamente ambos concordaram com a necessidade de revisão.
Leia a cena abaixo para observar as intervenções da professora e a interação entre a dupla:
Professora: Olhem para essas duas cartas (apontando para as duas cartas produzidas por Thalles) com nome da Mônica. Elas podem ser escritas de formas diferentes? O que vocês me dizem?
Crianças: Não pode.
Professora: Thalles, leia aí o nome Mônica que você escreveu.
Thalles: Mônica (Lê assinalando continuamente, passando o dedo embaixo de SELAMRT)
Maria: ‘Mo’(S), ‘ni’(E), ‘ca’(LA)
Professora: E essas letras que sobraram? Faz o quê? Conversem os dois.
Maria: Mônica não começa com essa, Thalles. E também Mônica termina no A. (Talles fica em silêncio)
Professora: Então, vamos pensar juntos como faremos. Maria falou que o nome Mônica não começa com essa (aponta para S). Você concorda, Thalles?
Thalles: Começa com essa (aponta para S da sua segunda carta).
Maria: Com ‘eme’, como meu nome.
Professora: Ah, então Mônica começa como o seu nome? Escreve seu nome aí, Maria, pra Thalles ver.
(Maria escreve seu nome, e Thalles permanece em silêncio)
Professora: Pois é isso mesmo, Mônica começa com ‘mo’ e tem a inicial do nome de Maria. E também como o nome de outro personagem, Magali (pega um gibi com o título Magali e mostra para as crianças).
Maria: E termina com A Professora: Maria, você leu o ‘ca’ nessas duas (aponta para LA) e as anteriores em uma letra só. É isso mesmo?
Thalles: Acho que não.
Professora: Vamos ver aqui alguns personagens que dão nome a esses gibis e vamos ler observando a escrita. (As crianças observaram o nome Magali)
Professora: Sigam aí dialogando para pensar na melhor forma de revisar essa escrita para que as pessoas entendam o nome da Mônica.
(A professora foi para outra dupla. Thalles seguiu analisando e fez a revisão conjuntamente com Maria. Ao retornar, a professora pediu que ele dissesse o que estava escrito apontando com o dedo)
Maria: ‘Mo’(M), ‘ni’(RA), ‘ca’(TM). (Professora questiona se está pronta a revisão e solicita que copiem na carta em branco).
Terceira Versão:

Para refletir:
A partir da leitura da cena, convidamos você a refletir sobre as seguintes questões:
- O que a professora precisou considerar ao organizar as crianças para a realização da atividade? Que hipóteses podem ser levantadas sobre os critérios de escolha da dupla?
- As interações entre as crianças possibilitaram aprendizagens? Quais?
- Quais intervenções da professora favoreceram a reflexão das crianças sobre o sistema de escrita alfabética?
- Como tal situação contribui para o planejamento e desenvolvimento das situações de escrita pelo estudante na sua sala de aula?
Recomendação: Registre em seu caderno suas reflexões e o uso que fez desse percurso de estudo em articulação com o trabalho desenvolvido em sala de aula. Sugerimos que leve seus registros para os encontros de módulos com as Coordenadoras pedagógicas para apoiar o planejamento para sua turma.
Dica de leitura
Para completar os seus estudos e compreender a fundo as intervenções da professora nesse processo, sugerimos que leia o texto na íntegra: TEXTO 3 (F1.U2.T3 - PROFESSORAS) Escrever por si mesmo no contexto de produção do Jogo de Memória Autoras: Aline Carvalho Nascimento e Caroline Rezende de Souza. Páginas: 72 a 79.

