📌 Tempo previsto para essa atividade: 4h 
O que se espera do participante nesta atividade:
que o participante aprofunde reflexões sobre o Conselho de classe.

Queridas Diretoras,

Ao longo de nossas discussões o foco na aprendizagem para todos e todas estudantes tem sido central para refletirmos sobre nossa atuação como guardiãs desse direito. Cabe aqui retomarmos o conceito de equidade defendido pelo Prof. mineiro José Francisco Soares que foi presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) entre 2014 e 2016. Defensor de princípios que se opõem às desigualdades, Chico é Doutor em Estatística pela Universidade de Wisconsin e Pós-doutor pela Universidade de Michigan.

Leia a seguir alguns trechos que Chico Soares, como o professor é conhecido, concedeu a Fernando Casagrande, da Rede Galápagos, na qual ele discorre sobre a relação entre equidade e melhoria da qualidade da educação.

“O artigo 205 da Constituição define que, na escola, toda criança deve aprender o que ela precisa para uma vida plena, que tem três dimensões: a dimensão pessoal, que é você dar vazão e poder realizar os seus talentos; a dimensão da cidadania, que é você, como cidadão, poder participar da vida do seu país; e a dimensão do trabalho, onde todo mundo precisa estar inserido de alguma forma para poder contribuir e ser recompensado. Então, uma educação de qualidade deve garantir os aprendizados para essas três dimensões. Será que a criança está aprendendo, hoje, no Brasil, o que ela precisa para a vida? E aí entra a segunda questão, que é a da equidade. Será que esses aprendizados são iguais para todos os grupos sociais? Todos estão aprendendo do mesmo jeito?”

“Se você quer entender como a educação funciona, precisa levar em conta o nível do aprendizado e a desigualdade”, afirma o professor. “Não é possível construir uma sociedade boa para todos sem qualidade e com desigualdade.”

“O grande salto para acabar com a desigualdade é fazer com que toda criança aprenda. Nós não vamos caminhar muito enquanto ficarmos justificando o não aprendizado. Eu preciso enfatizar a necessidade da criança aprender, independentemente das condições que existam. Porque toda criança aprende. Nós precisamos de escolas de tempo integral para o aluno e para o professor, mas também de escolas e professores que se sintam responsáveis pelo aprendizado das crianças. Hoje nós vivemos uma situação em que, se a criança aprende ou pouco ou quase nada, nada acontece. Cada causa tem que ter a pessoa que a defenda. Uma causa não anula a outra. Os professores precisam de melhores condições, a estrutura escolar precisa melhorar, mas eu gostaria mesmo de ver que todas essas questões fossem decididas tendo o aprendizado da criança como conceito básico. Para atender o direito da criança aprender, a escola precisa ter projeto pedagógico e precisa saber o que ela vai ensinar. Ela precisa ser inclusiva, onde todos aprendem os conteúdos, e pode ter diferenças, desde que elas não coloquem os alunos em desempenhos muito baixos, e desde que não reflitam exclusivamente desigualdades sociais. Nem todas as meninas vão ser ótimas em matemática, mas um sistema mais justo tem que ter meninas ótimas em matemática, tem que ter alunos pobres excelentes em física, de forma que, ao olhar o desempenho, a gente não saiba dizer a qual grupo social o aluno pertence.”

É com esse sentido, de foco na qualidade e na equidade, que trouxemos os estudos sobre Conselho de Classe. Como temos discutido, o Conselho de classe é uma instância de acompanhamento das aprendizagens dos estudantes. É a instância na qual diretores, coordenadores pedagógicos e professores se reúnem para discutir o desempenho de seus estudantes no período que passou e traçar planos de ação, para propor intervenções para os próximos meses.

Discutimos também que para o sucesso do Conselho de classe, ele precisa ser participativo e democrático, ou seja, que sejam incluídos os próprios estudantes e até mesmo seus responsáveis nas discussões e no levantamento de possíveis soluções para um melhor aproveitamento escolar e recuperação dos estudantes que não têm apresentado o rendimento esperado.

Proporemos como continuidade desse estudo, o fechamento do terceiro trimestre do ano letivo nas escolas e na Rede, organizarem-se para analisar o percurso até aqui e replanejar ações que favoreçam o processo de ensino e de aprendizagem dos estudantes, considerando que ainda temos pela frente aproximadamente 90 dias letivos. Afinal, estamos tratando da GESTÃO ESCOLAR COM FOCO NA GESTÃO PEDAGÓGICA - A Alma da Escola.

É importante e necessário que vocês se reúnam com o(a) coordenador(a) pedagógico(a) para pensarem juntos o fechamento do trimestre e a preparação para o próximo Conselho em sua escola, considerando os documentos postados no ciclo anterior que explicitam as responsabilidades de cada profissional.

A proposta é que a dupla gestora analise como está o rendimento de cada classe e de cada ano/série e as variáveis que possivelmente provocam os avanços e os entraves.

Para essa empreitada, não podem perder de vista os dados das avaliações, inclusive o mais recente resultado de avaliação externa, o IDEB.

Ter a documentação dessas informações favorecerá a participação na reunião de diretores com a Secretaria, sua atuação até o final do ano e a tomada de decisões em prol da aprendizagem dos estudantes.

Segue abaixo algumas questões importantes para vocês como diretoras, juntamente com coordenador(a) pedagógico(a), pensarem no andamento do trabalho, neste trimestre. Recomendamos também a retomada das questões postadas no documento relacionado ao Conselho de Classe postado no ciclo 2 (do que cabe a cada ator em relação ao Conselho de classe).

  1. Como analisar os dados recentes das classes e quais são as séries que mais precisam de cuidados?
  2. Quais são os estudantes de cada série que precisam de um acompanhamento mais intensivo? Como organizar o atendimento a estes estudantes juntamente com a Secretaria da Educação?
  3. Todos os estudantes têm materiais específicos (do Programa Trilhos, livro didático, outros recursos?) Se não, como garantir?
  4. Para os estudantes menos favorecidos, estão sendo assegurados os materiais básicos: caderno, lápis, borracha?
  5. Você vem se reunindo semanalmente com os coordenadores pedagógicos para discutirem as questões relacionadas ao processo de ensino e aprendizagem?
  6. Diretores e coordenadores estão atentos aos movimentos da escola (fluxo dos estudantes e professores, atividades de sala de aula, uso da biblioteca, ações institucionais...)?
  7. Como realizam o Conselho de Classe? Lembramos novamente a recomendação de fazer uso dos documentos postados no ciclo anterior que trata do papel de cada um.
  8. Como preparar a reunião com os pais para comunicar o andamento da aprendizagem dos estudantes neste trimestre? (Não se esqueçam de comunicar aos pais as ações que a escola já organizou para atender os estudantes com maior dificuldade).

É muito importante a elaboração de registros dessas questões e dos encaminhamentos definidos após a análise dos dados do fechamento do trimestre sobre estudantes e turmas. Isso certamente trará conquistas importantes para o próximo Conselho de Classe.