📌 Tempo previsto: 4h
O que se espera do participante:
  • Ler o texto “Revisão de texto: um caminho para aprender a escrever”, de Elaine Vidal;
  • Refletir sobre as diferenças entre corrigir um texto e ensinar os(as) estudantes a revisá-lo;
  • Analisar o papel da professora na seleção dos focos, na organização dos agrupamentos e na realização de intervenções;
  • Relacionar os princípios apresentados às situações do projeto Reescrita de contos tradicionais.

Queridas professoras e queridos professores,

No encontro presencial, analisamos situações em que os e as estudantes foram convidados a observar os recursos utilizados em um texto bem escrito e a refletir sobre a pontuação dos diálogos. Nas duas propostas, a revisão foi compreendida como uma situação de aprendizagem: as crianças analisaram textos, confrontaram possibilidades, justificaram suas escolhas e discutiram os efeitos que determinadas alterações poderiam produzir no leitor.

Para aprofundar essas reflexões, sugerimos a leitura do texto “Revisão de texto: um caminho para aprender a escrever”, de Elaine Vidal. Nele, a autora discute a diferença entre revisão e correção, os possíveis focos de uma revisão, a organização dos agrupamentos, os registros que podem orientar a atividade e as intervenções docentes que favorecem a participação das crianças como autoras e revisoras.

Antes de realizar a leitura, conheça a situação vivenciada por uma professora de 3º ano.

Para início de conversa: o caso da professora Renata

A professora Renata está desenvolvendo com sua turma um projeto de reescrita de contos tradicionais. Depois de lerem diferentes versões de “Os três porquinhos”, os e as estudantes planejaram coletivamente os episódios que não poderiam faltar e produziram, em duplas, a parte final do conto.

Renata explicou que os textos fariam parte de uma coletânea destinada à biblioteca da escola. Por isso, estava preocupada em garantir que as versões fossem publicadas sem erros e pudessem ser compreendidas pelos leitores.

Ao analisar as primeiras produções, a professora encontrou problemas de diferentes naturezas: ausência de alguns episódios, repetição excessiva de palavras, uso frequente de “aí”, dificuldade para identificar as falas das personagens, falta de pontuação e palavras escritas de forma não convencional.

Uma das duplas produziu o seguinte trecho:

O lobo chegou na casa de madeira aí ele bateu na porta e falou abre essa porta o porquinho falou não vou abrir aí o lobo assoprou e assoprou a casa caiu os dois porquinho correu para casa do irmão quando chegou lá o lobo foi atrás.

Com o objetivo de ajudar a dupla e preparar o texto para a publicação, Renata fez todas as alterações que considerou necessárias. Corrigiu a ortografia e a concordância, inseriu a pontuação, organizou os parágrafos, substituiu algumas palavras repetidas e acrescentou informações que estavam faltando.

O trecho foi devolvido desta maneira:

O lobo chegou à casa de madeira e bateu à porta.

— Abra esta porta! — ordenou.

O porquinho respondeu:

— Não vou abrir!

Furioso, o lobo encheu o peito e soprou várias vezes, até derrubar a casa. Assustados, os dois porquinhos correram para a casa de tijolos do irmão mais velho. O lobo, porém, não desistiu e foi atrás deles.

Ao final da folha, a professora escreveu:

“Organizei o texto, corrigi as palavras e acrescentei algumas informações que estavam faltando. Agora, copiem a versão corrigida com atenção e letra legível.”

As crianças leram a devolutiva, copiaram o trecho e entregaram a nova versão. Ao acompanhar o trabalho, Renata percebeu que uma delas apagava e copiava cada linha sem reler o texto completo. Quando perguntou o que havia mudado, a dupla respondeu:

— A professora corrigiu o que estava errado e a gente passou a limpo.

A professora começou a se perguntar se, embora o texto tivesse ficado mais bem escrito, as crianças haviam aprendido a identificar os problemas da própria produção e a tomar decisões para resolvê-los.

Para refletir antes da leitura

  • ✔ O que as crianças puderam aprender com a correção realizada pela professora?
  • ✔ Quais decisões sobre o texto foram tomadas pela professora e quais puderam ser tomadas pelas crianças?
  • ✔ O que poderia ser feito de outra maneira para que a dupla participasse efetivamente da revisão?

Registre suas primeiras impressões. Elas serão retomadas depois da leitura.

Proposta de leitura

Capa do Fascículo 5 Leia o texto “Revisão de texto: um caminho para aprender a escrever”, de Elaine Vidal, presente no material Alfabetização contextualizada e reflexiva: percurso formativo para professoras e professores – 1º e 2º anos, Fascículo 5 do(a) Professor(a), publicado pelo Ministério da Educação (MEC). O texto corresponde ao Texto 2 – F5.U10.T2 – Professoras.

Durante a leitura, destaque trechos que ajudem a refletir sobre:

  • as diferenças entre revisão e correção;
  • os critérios utilizados para escolher o foco de uma revisão;
  • a importância de não revisar todos os aspectos do texto em um único momento;
  • as possibilidades de revisão coletiva, em duplas e individual;
  • os registros e recursos que podem apoiar a revisão;
  • as intervenções docentes que favorecem a reflexão;
  • a progressiva construção da autonomia dos e das estudantes como revisores.

Retomando o caso da professora Renata

Depois da leitura, retome o caso e reflita:

  • 1 Que contribuições do texto de Elaine Vidal podem ajudar Renata a compreender a diferença entre corrigir a produção das crianças e propor uma situação de revisão?
  • 2 Considerando os problemas presentes na reescrita, qual poderia ser o primeiro foco da revisão? Por que não seria adequado trabalhar todos os problemas ao mesmo tempo?
  • 3 Que situação coletiva, em duplas ou individual poderia ser planejada para que as crianças identificassem o problema e discutissem diferentes possibilidades de alteração?
  • 4 Que perguntas e intervenções Renata poderia realizar sem assumir as decisões que cabem aos autores do texto?