Para refletir sobre a prática, escolhi mais um trecho do livro
Diálogo escola-família(Perez, 2019).
É uma cena que você encontra na página 58, que vou colocar aqui também.
Quando se fala sobre o que se ensina, será que famílias e escola estão se referindo à mesma coisa?
Caso
Do grupo de pais, familiares/responsáveis no WhatsApp à avaliação institucional
Em uma série de reuniões de gestores escolares, Ana e Suzi, supervisoras pedagógicas de uma rede de escolas, ouviram muitas reclamações sobre críticas dos familiares ao trabalho da escola, feitas, a princípio, em rodas na porta da unidade e, depois, estendidas a grupos do aplicativo WhatsApp.
Alguns participantes centralizaram o discurso no problema da avaliação das famílias, argumentando que não teriam condições de analisar tecnicamente a atuação da escola. Para outros, a questão principal era o fórum, ou seja, a troca de críticas entre os próprios familiares, sem dar preferência à interlocução direta com a escola.
As supervisoras decidiram, então, abordar a seguinte questão com os diretores da rede: como aproximar as percepções de gestores e familiares/responsáveis a respeito do ensino e da aprendizagem das/os estudantes?
Ana e Suzi constataram, então, a necessidade de compreender qual era a visão de familiares/responsáveis sobre as escolas e, ao mesmo tempo, propiciar uma experiência positiva de aproximação com as equipes de educadoras/es.
Assim, foi realizada uma avaliação institucional na rede envolvendo as duas partes, com base na aplicação dos Indicadores da Qualidade na Educação* . A reflexão sobre a dimensão pedagógica foi muito produtiva, e ficou evidente que era preciso que a escola desse maior visibilidade às expectativas de aprendizagem para cada ano e também a suas estratégias. Uma mãe, por exemplo, acreditava que a escola era fraca porque não cobrava do filho que ele soubesse a tabuada – algo que ela tinha como referência porque lhe ocorreu quando tinha a mesma idade, na escola em que estudou. De outro lado, uma equipe relatou quanto se surpreendeu positivamente quando uma avó apontou a necessidade de que as crianças do 1º ano tivessem mais espaço para brincar, o que não estava no radar da equipe, pois já tinha se acostumado com o ambiente que atendia até o Ensino Fundamental 2.
As supervisoras acertaram ao propor a avaliação institucional como estratégia. Por meio dela, perceberam a necessidade de que todas as escolas da rede fossem ainda mais propositivas na apresentação das propostas educacionais, além de atuar para incluir a participação de familiares.
Lembra do princípio de pertencimento que abordamos antes neste módulo? Pois bem: podemos começar a pensar sobre pertencimento partindo da ideia de integrar algo maior – ou seja, o projeto da escola. Sendo a escola um bem comum, promover o pertencimento das/dos estudantes e de seus familiares/responsáveis é muito importante – e potente – para alcançar objetivos comuns: o desenvolvimento e a aprendizagem de todas/os as/os estudantes.
Agora, reflita comigo: como podem ser feitas as comunicações às famílias/responsáveis para que se sintam pertencentes ao projeto educativo da escola no que diz respeito
• às propostas pedagógicas e curriculares?
• aos resultados de aprendizagem das/dos estudantes?
• às reuniões escolares?
• aos eventos (exposições, feira de livros, feira de ciências, festivais, festas culturais etc.)
Além disso,
• que meios de comunicação – por exemplo, blog, site e redes sociais – podem ser úteis para esse fim?
• quais são as possibilidades de melhoria em cada tipo de comunicação?
Cuidar das instâncias de participação e comunicação em relação a familiares/responsáveis é garantir a sustentabilidade da gestão democrática na escola.
Convido você a fazer um Raio-X, analisando o que está por trás da situação que abordei aqui, em “Quando se fala sobre o que se ensina, será que famílias e escola estão se referindo à mesma coisa?”. Clique
e abra documento.
* Os Indicadores da Qualidade na Educação (Indiques) são instrumentos de autoavaliação da qualidade das instituições de Educação Infantil e Ensino Fundamental por meio de um processo participativo e aberto a toda a comunidade. Clique aqui para saber mais.
Avance para nosso próximo momento formativo: a ampliação conceitual.
Aguardo você lá!