C3 - Fórum - professoras/es 1º e 2º anos

Número de respostas: 15
 Após a leitura da situação e cenas transcritas no Estudo e Aprofundamento, aqui no fórum vamos refletir as questões:


a) Quais condições didáticas foram garantidas pela professora Simone para que todas as crianças pudessem realizar as propostas?

b) Quais as principais intervenções feitas pela professora durante as situações didáticas que permitiram que as crianças refletissem sobre a escrita?

c) Como a professora interage com as respostas das crianças?

Clique em "Responder" para escrever seu comentário


Em resposta à Primeiro post

Re: C3 - Fórum - professoras/es 1º e 2º anos

por Thais Almeida Costa -
Oi, gente! Quem vai começar por aqui? Aguardando as contribuições de vocês!
Em resposta à Thais Almeida Costa

Re: C3 - Fórum - professoras/es 1º e 2º anos

por Silmara Aline Rodrigues Barbosa de Oliveira -
A professora desenvolveu o trabalho de forma que os alunos pudessem participar ativamente, utilizando receitas conhecidas e também aquelas trazidas por eles mesmos. Essa proposta favorece o sentimento de pertencimento, a participação e a liberdade de escolha. Ao trazerem receitas familiares, os alunos se envolvem com algo que faz parte do seu cotidiano, tornando o aprendizado mais significativo e enriquecedor do que quando o professor apenas direciona o que deve ser lido ou feito.

Quando os alunos votam para decidir qual receita será trabalhada, exercitam a autonomia e demonstram maior interesse, pois sentem que sua opinião é valorizada. Essa prática promove um ambiente de cooperação, em que todos se percebem como parte importante do processo de aprendizagem.

A professora realiza intervenções pedagógicas conforme as necessidades de cada grupo, dividindo a turma de acordo com o nível de conhecimento e as demandas de aprendizagem. Ela retoma a explicação sobre a estrutura de uma receita e orienta cada equipe a desenvolver uma parte do texto. Durante a escrita, questiona um dos alunos sobre o que o colega registrou, estimulando a observação e a reflexão coletiva.

Quando os alunos compartilham suas respostas, a professora intervém novamente, perguntando se todos concordam com a grafia das palavras e incentivando a leitura com o acompanhamento do dedo. Além disso, auxilia na escrita de palavras mais complexas, como “limão”, pronunciando-as pausadamente para facilitar a compreensão.

No segundo relato, a professora solicita que os alunos leiam o que escreveram, também passando o dedinho sobre as palavras. Em seguida, apresenta outras duas palavras com a mesma inicial (“tri...”), para que percebam a semelhança sonora e possam corrigir ou aprimorar suas produções. Essa prática demonstra sensibilidade pedagógica e atenção ao desenvolvimento da alfabetização de forma significativa e contextualizada.
Em resposta à Silmara Aline Rodrigues Barbosa de Oliveira

Re: C3 - Fórum - professoras/es 1º e 2º anos

por Thais Almeida Costa -
Querida Silmara, que bom contar com a sua participação por aqui!

Sua análise evidencia uma leitura sensível e atenta das práticas da professora Simone, especialmente ao destacar o envolvimento ativo das crianças, o sentimento de pertencimento e o caráter significativo da aprendizagem. Você conseguiu reconhecer elementos essenciais do trabalho docente voltado à alfabetização em situações reais de leitura e escrita.

As condições didáticas que você menciona aparecem de forma muito clara no planejamento da professora Simone:

Organizar o grupo em duplas com saberes próximos sobre o sistema de escrita, favorecendo a troca de informações e a observação de ideias e estratégias diferentes; e

Propor a escrita de um texto que circula socialmente (a receita), possibilitando que as crianças aprendam sobre o gênero, sua função, seus contextos de uso e as características próprias da linguagem e da formatação.

Essas escolhas revelam intencionalidade pedagógica e planejamento cuidadoso, permitindo que as crianças avancem em suas reflexões sobre o sistema de escrita e, ao mesmo tempo, se reconheçam como autoras em situações significativas.

Que tal seguirmos agora colocando uma lupa sobre as boas perguntas e intervenções feitas pela professora Simone?
Quais dessas intervenções vocês já utilizam com frequência na prática de vocês?

Vamos aguardar as próximas participações para continuarmos a conversa!
Um abraço,
Thais
Em resposta à Thais Almeida Costa

Re: C3 - Fórum - professoras/es 1º e 2º anos

por Clarice das Graças Braga Rosa -
A proposta desenvolvida pela professora propiciou o desenvolvimento das crianças, onde elas puderam participar ativamente da atividade de acordo com seu nível de aprendizagem. Isso facilitou aprofundar na escrita e na estrutura do gênero abordado.
A didática da professora influencia muito no crescimento da linguagem oral e escrita dos alunos. Sua intervenções foram pertinentes e intencionais , levando cada criança a pensar sobre o que escreveu valorizando e contribuindo para a aprendizagem de cada um.
Em resposta à Primeiro post

Re: C3 - Fórum - professoras/es 1º e 2º anos

por Clarete Aparecida Rezende -
O trabalho da professora foi totalmente direcionado aos alunos. Ela assegurou a eles o protagonismo nas atividades. Quando os alunos estão em dupla e um tem o papel de escriba e o outro de auxiliar, eles se sentem importantes, isso traz autonomia para o desenvolvimento das crianças. E de certa maneira força a busca por respostas.
As intervenções são bem pontuais, em um primeiro momento ela aguarda a ação da dupla. Quando isso não acontece, ela faz a intervenção como no caso dos alunos que queriam escrever a palavra - limão. E ela sempre dirige as perguntas aos alunos sem entregar a resposta pronta. Essa atitude provoca a reflexão da criança quanto ao som e a escrita das palavras.
A intenção da professora é provocar a descoberta das crianças através da discussão, da busca em como fazer e onde encontrar as respostas para a escrita.

Em resposta à Primeiro post

Re: C3 - Fórum - professoras/es 1º e 2º anos

por Adriana Aparecida Dias de Oliveira -
A) A professora Simone antes de introduzir sobre o gênero textual Receita ela fez um planejamento com as orientações didáticas as quais ela queria trabalhar.
Envolveu sua turma em variadas atividades as quais poderiam a auxiliar no processo da lingue escrita, tais como:
• Apresentou de forma sucinta uma receita para os alunos.
• Desenvolveu com eles uma lista das receitas conhecidas e das que eles ainda não conheciam.
• Leitura do título das receitas.
• Ditado das receitas que os alunos levaram para a escola.

B) A professora Simone dividiu a turma em dois grupos de saberes proximais. O primeiro grupo de alunos que não conseguiam escrever alfabeticamente e o segundo grupo de alunos alfabéticos.
No grupo 1 os alunos ajudavam mutuamente na escrita da receita. Uma criança falava a palavra e a outra era a escriba.
A criança escriba era totalmente pré silábica e esta enchia a folha de letras até o final já a outra criança nota -se que havia um pouco mais de noção da escrita.
Durante o processo de escrita desse grupo a professora fez várias intervenções a respeito do que estava sendo escrito.
• Após os alunos escreverem o título da receita ela pediu que os mesmos lessem o que haviam escrito passando o dedinho embaixo das palavras.
• A segunda intervenção foi perguntar o que estava escrito e a outra criança quem falaria se estava correto ou não. Apontando o que estava faltando.
• No caso da palavra limão. Ela interveio da seguinte maneira: Olha aqui na sala se existe alguma palavra que inicia com a sílaba de LI de limão. As crianças falaram Livro e Lídia a professora.

No grupo 2 : A palavra fora mais complexa devido a fase alfabética em que as crianças se encontravam: Alfabética.
A palavra em questão foi trituravam.
As crianças as escreveram de diversas formas até conseguirem finalmente perceber o som correto e a grafia da mesma.

Em síntese: A professora Simone fez as intervenções da escrita de acordo com os níveis proximais das crianças. Fazendo com que cada uma refletisse sobre aquilo que havia escrito.

C) A interação entre professor e aluno se deu de forma sucinta e objetiva. A professora fez com que os alunos refletissem criticamente sobre a escrita ora lendo com o dedinho ora lendo através dos sons produzidos pelas sílabas (consciência fonológica).

D) Pude constatar que o trabalho desenvolvido pela professora Simone foi de suma importância para o desenvolvimento da escrita dos alunos pois ela encoraja as crianças a revisarem e editarem seus próprios textos. Promovendo assim a autorreflexão sobre a clareza e a coerência da escrita.
Em resposta à Adriana Aparecida Dias de Oliveira

Re: C3 - Fórum - professoras/es 1º e 2º anos

por Andreia Cristina Santana -
A professora Simone organizou condições didáticas diferenciadas para atender aos diferentes níveis de aprendizagem da turma, formando duplas com níveis semelhantes de escrita e dividindo o trabalho entre a produção da lista de ingredientes e do modo de fazer. Utilizou um tema próximo da realidade das crianças (receitas de família) e ofereceu apoio e materiais que garantiram a participação de todos. Suas intervenções foram intencionais e reflexivas, incentivando os alunos a pensar sobre o próprio processo de escrita por meio de perguntas mediadoras e comparação entre palavras. Ao interagir com as respostas, manteve uma postura dialógica e investigativa, valorizando o raciocínio dos alunos e promovendo a descoberta autônoma da escrita correta. Dessa forma, favoreceu a reflexão sobre o aprender, a consciência fonológica e o avanço nas hipóteses de escrita, em um ambiente significativo e cooperativo.
Em resposta à Primeiro post

Re: C3 - Fórum - professoras/es 1º e 2º anos

por Claudinéia Cristine da Silva Coelho -
Fez intervenções com perguntas, estimulou a escrita com letras e sílabas, percebeu o avanço durante o processo da aprendizagem.

Levando as crianças a refletirem sobre o que tinham escrito e perceberem novas possibilidades na escrita da palavra. Passando o dedinho para lerem e desta forma criarem novas possibilidades da escrita.Vale ressaltar a participação e o enteresse das crianças e a importância do grupo ao escreverem refletindo sobre a escrita.

Levar a criança a pensar e buscar palavras conhecidas com as mesmas sílabas proporcionando novos conhecimentos. A revisão das palavras feitas pelas crianças ajudam e muito para seu desenvolvimento cognitivo, ao lerem percebiam que necessitavam de mudanças e reflexões garantido novos conhecimentos.
Em resposta à Primeiro post

Re: C3 - Fórum - professoras/es 1º e 2º anos

por Jesiane Beatriz Lopes Braga -
A professora fez intervenções com perguntas, estimulando a escrita com letras e sílabas e percebeu o avaço durante o processo da aprendizagem. A professora fez um trabalho excelente, pois os alunos participaram ativamente e com muita atenção nas intervenções da professora.

Levando as crianças a refletirem sobre o que tinham escrito e perceberem novas possibilidades na escrita da palavra. Durante as intervenções ela estimula a reflexão coletiva da dupla.

Levar a criança a pensar e buscar palavras conhecidas com as mesmas silabas proporcionando novos conhecimentos. A intenção da professora é provocar a descoberta das crianças através da discussão.
Em resposta à Primeiro post

Re: C3 - Fórum - professoras/es 1º e 2º anos

por Karina dos Santos Silva -
A professora Simone organizou a turma considerando os diferentes níveis de escrita das crianças, formando duplas com níveis semelhantes. Ela distribuiu as tarefas de maneira adequada: algumas duplas ficaram responsáveis pela escrita da lista de ingredientes, enquanto outras trabalharam no modo de preparo, garantindo que cada aluno realizasse uma atividade compatível com suas possibilidades. Além disso, escolheu um tema próximo da realidade das crianças — a receita — e disponibilizou materiais, apoio e orientações que asseguraram a participação de todos.
Suas intervenções foram intencionais e planejadas, sempre utilizando perguntas que levavam os alunos a refletir sobre o próprio processo de escrita. A professora atuou dentro da zona de desenvolvimento proximal das crianças, ajudando cada uma a analisar e revisar aquilo que produzia.
A interação com os alunos ocorreu de forma dialógica e investigativa: ela escutava atentamente as respostas, valorizava as ideias apresentadas e retomava as falas para aprofundar o pensamento. Em vez de oferecer respostas prontas, estimulava que as crianças pensassem, checassem hipóteses e encontrassem soluções de forma autônoma, fortalecendo a reflexão e a consciência sobre sua escrita.
Durante a atividade, promoveu momentos de leitura com o “dedinho”, leitura pelas partes sonoras das palavras e exploração das sílabas, favorecendo a consciência fonológica. Assim, fica evidente que o trabalho desenvolvido pela professora Simone foi fundamental para o avanço das crianças na escrita, pois ela criou condições para que se sentissem seguras, motivadas e ativas no processo de aprender.
Em resposta à Karina dos Santos Silva

Re: C3 - Fórum - professoras/es 1º e 2º anos

por Thais Almeida Costa -
Queridas/os professoras/es Clarete, Adriana, Andreia Cristina, Claudinei, Jesiane e Karina,

Que alegria ler as análises de vocês! Cada uma das leituras evidencia atenção aos detalhes da prática da professora Simone.

Percebi uma convergência importante nos comentários: todas/os destacaram como a professora organizou condições didáticas potentes — agrupamentos produtivos, divisão adequada das tarefas, uso de materiais de apoio, trabalho com um gênero familiar às crianças em uma situação com propósito social e comunicativo — e, principalmente, como suas intervenções foram planejadas, intencionais e mediadas por perguntas que provocavam reflexão sobre a escrita.

Também chamou atenção o reconhecimento de vocês da postura dialógica da professora: ela escuta, acolhe, devolve a questão para as crianças, sustenta o protagonismo e não entrega respostas prontas. Esse olhar de vocês é valioso, pois evidencia compreensão da diferença entre intervir para resolver e intervir para pensar.

Gostaria de ampliar uma reflexão que apareceu em várias contribuições:
➡️ Muitas análises mencionam a importância da consciência fonológica, o que é pertinente. Mas vale pensarmos juntas/os: qual é o papel da consciência fonológica no processo de construção da escrita?

A cena analisada nos convida a perceber que a professora Simone não trabalha com um ensino explícito e sistemático voltado exclusivamente para desenvolver habilidades fonológicas, como se bastasse “ensinar sons e grafias” de forma isolada. Pelo contrário: Ela mobiliza a consciência fonológica dentro do contexto real de uso da escrita, quando as crianças precisam decidir: quantas letras usar, quais letras, em que ordem.

Ou seja, a consciência fonológica não aparece antes ou depois, mas dentro do processo de produção textual e da reflexão sobre o sistema de escrita.

Essa perspectiva é central porque nos lembra que a apropriação da escrita não é linear, nem resulta de uma sequência mecânica de correspondências entre fonema e grafema. É sempre fruto de uma atividade construtiva, contextualizada e reflexiva do sujeito em interação com práticas reais de leitura e escrita.

A partir dessa discussão, convido vocês a seguirem refletindo de maneira crítica sobre propostas que, muitas vezes, acabam descontextualizadas e isolam a consciência fonológica como fim em si mesma.

Parabéns pela qualidade das análises!
Vamos seguir trocando — quanto mais compartilhamos nossas leituras, mais ampliamos nossa compreensão coletiva sobre as práticas de alfabetização.

Abraços,
Thais
Em resposta à Primeiro post

Re: C3 - Fórum - professoras/es 1º e 2º anos

por Izabel Cristina Ribeiro -
A) Antes de iniciar o trabalho com o gênero textual receita, a professora Simone elaborou um planejamento detalhado, definindo as orientações didáticas que pretendia desenvolver. Para garantir que todas as crianças se familiarizassem com a linguagem própria desse gênero, ela organizou atividades diversificadas e progressivas, entre as quais: a apresentação de uma receita-modelo, a construção coletiva de uma lista de receitas conhecidas e desconhecidas, a leitura dos títulos dessas receitas e o ditado das receitas trazidas pelos alunos. Essas propostas possibilitaram que todos tivessem contato prévio com a estrutura do gênero e com diferentes formas de escrita presentes no cotidiano.

B) Para favorecer intervenções mais precisas, a professora dividiu a turma em dois grupos conforme seus níveis de escrita. No primeiro grupo, formado por crianças ainda não alfabéticas, a escrita foi realizada em duplas, permitindo que uma criança atuasse como escriba enquanto a outra ajudava na reflexão sobre os sons e letras. A professora acompanhou de perto esse processo, incentivando a leitura do que haviam registrado, pedindo que apontassem com o dedo cada palavra escrita e questionando se aquilo representava o que pretendiam escrever. Quando perceberam dificuldades, como na palavra “limão”, ela incentivou a busca de referências na sala, convidando-os a localizar palavras que começassem com o mesmo som (li), como “livro” e “Lídia”.

No segundo grupo, composto por crianças em fase alfabética, o desafio envolveu palavras mais longas e complexas, como “trituravam”. As crianças testaram várias grafias até chegar à forma correta, refletindo sobre os sons e sua correspondência na escrita.

C) A interação estabelecida pela professora com as crianças ocorreu de forma clara e orientadora. Simone estimulou a reflexão crítica por meio da leitura acompanhada com o dedo, da análise dos sons iniciais e da identificação de sílabas, favorecendo o desenvolvimento da consciência fonológica. Em vez de fornecer respostas prontas, ela mediava o processo de descoberta, convidando os alunos a revisarem, justificarem e compararem suas produções.

D) Observa-se que o trabalho desenvolvido pela professora Simone foi fundamental para o avanço das crianças no processo de alfabetização. Suas intervenções encorajaram os alunos a revisar e editar seus próprios textos, promovendo autorreflexão, consciência fonológica e percepção da clareza e da coerência da escrita. As práticas adotadas mostraram-se significativas por respeitarem os níveis de desenvolvimento de cada criança e por favorecerem aprendizagens progressivas e consistentes.
Em resposta à Primeiro post

Re: C3 - Fórum - professoras/es 1º e 2º anos

por Maria Aparecida Dias -
A professora Simone provocou envolvimento da turma através do tema proposto, em todo processo. Com certeza, garantiu que os níveis de aprendizagem elevassem, ocasionando automia e valorização da escrita de cada membro. Durante todo processo,ouve intervenções que incentivam aos alunos que ainda estão em baixo rendimento na escrita, vivenciando momentos riquíssimos, em que puderam ter percepção sonora na busca de outras palavras semelhantes encontradas em sala de aula e ajuda mútua entre os membros . A didática da proposta provoca reflexão envolvimento da turma, assegura a aprendizagem de forma significativa.
Em resposta à Maria Aparecida Dias

Re: C3 - Fórum - professoras/es 1º e 2º anos

por Thais Almeida Costa -
Encerramos este Fórum agradecendo a participação das professoras e professores que contribuíram com análises e reflexões a partir da situação didática proposta. As discussões evidenciaram atenção aos processos de alfabetização e permitiram aprofundar aspectos importantes do trabalho com a escrita em situações reais de comunicação.

A análise coletiva sobre o trabalho da professora Simone reforçou que um bom planejamento didático considera tanto o que as crianças já sabem quanto aquilo que precisam aprender. Para isso, é essencial garantir condições que favoreçam a participação de todos e a reflexão sobre o sistema de escrita. No caso analisado, destacaram-se algumas escolhas fundamentais:

Relembrar o propósito comunicativo da escrita, reforçando que as produções teriam um destinatário real.

Trabalhar com um gênero socialmente existente (a lista de ingredientes), favorecendo que as crianças reconhecessem sua função e estrutura.

Assegurar que soubessem o conteúdo da escrita, permitindo que o foco fosse pensar sobre o sistema de escrita alfabética.

Organizar duplas por saberes próximos, com funções claras durante o processo.

As intervenções da professora foram outro ponto de destaque. Durante a atividade, ela:

-Pediu que as crianças lessem o que haviam escrito, favorecendo a revisão e a reflexão sobre as marcas gráficas.
- Problematizou a quantidade de letras utilizadas, estimulando a justificativa das hipóteses.
- Ofereceu palavras de referência e incentivou a consulta a fontes seguras.
- Sustentou a dúvida e organizou a circulação da fala, evitando respostas prontas e favorecendo que as crianças construíssem critérios de escrita.

Esses elementos lembram que o avanço no sistema de escrita não depende apenas de ensinar correspondências fonema-grafema, mas de propor situações em que as crianças possam usar a escrita com sentido, confrontar hipóteses, justificar escolhas e consultar diferentes fontes de informação.

Por fim, destacamos a importância de manter práticas que assegurem a circulação de ideias entre as crianças, pois é nesse diálogo que elas ampliam seus modos de pensar e avançam na leitura e na escrita.

Agradecemos novamente a participação de vocês e esperamos que as reflexões realizadas aqui sigam apoiando o desenvolvimento das propostas com as turmas.

Abraços,
Thais Costa
Em resposta à Primeiro post

Re: C3 - Fórum - professoras/es 1º e 2º anos

por Laura Cristina Viegas dos Santos -
a) A professora Simone organizou tudo de um jeito que cada criança conseguisse participar de verdade: dividiu a turma por níveis de escrita, pensou tarefas ajustadas para cada grupo, retomou a estrutura do gênero antes da escrita e garantiu materiais e orientações claras. Ela criou as condições para ninguém ficar perdido e todo mundo conseguir arriscar.

b) As intervenções dela foram bem intencionais e sempre puxando a reflexão. Ela perguntava se “já estava escrito”, pedia para relerem, compararem com outras palavras conhecidas e ia guiando a dupla a pensar no som, na sílaba e na forma da palavra, sem entregar pronto. Ela ajudava a criança a enxergar o próprio erro e reconstruir.

c) A Simone escuta, acolhe e devolve em forma de pergunta. Ela valoriza o que a criança já sabe, amplia quando precisa e provoca quando vê uma possibilidade de avanço. É uma interação que respeita o raciocínio da criança, mas não deixa de desafiar.